Portugal importa 85% das leguminosas secas que consome

D.R

Apesar de desempenharem um papel essencial na saúde pública, na sustentabilidade dos sistemas alimentares e na segurança alimentar, Portugal produz apenas 15% das leguminosas que consome, de acordo com o INE1, dependendo em 85% de importações

Para assinalar o Dia Mundial das Leguminosas, a 10 de fevereiro, e reforçar a sua importância, a ProVeg Portugal emitiu um comunicado a chamar a atenção para o seu papel na saúde e segurança alimentar e incentivar a produção nacional.

A organização sublinha que promover as leguminosas é uma estratégia-chave para melhorar a saúde pública, reduzir o impacto ambiental do sistema alimentar e reforçar a soberania e segurança alimentar do país, apelando a políticas públicas e escolhas alimentares que valorizem este grupo alimentar essencial.

“As leguminosas são um alimento bastante nutritivo, que alia a sua riqueza proteica ao excelente teor em fibra. São também fontes importantes de vitaminas e minerais, como vitaminas do complexo B, cálcio, ferro, fósforo, magnésio e potássio”, explica Adriana Sousa, nutricionista da ProVeg Portugal. “O seu consumo regular contribui para a manutenção da saúde e para a prevenção de várias doenças crónicas, como a diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro.”

A Roda da Alimentação Mediterrânica recomenda o consumo diário de uma a duas porções de leguminosas (cerca de 80g cozinhadas por porção). Apesar da diversidade de leguminosas produzidas em Portugal, o feijão e o grão-de-bico continuam a dominar a alimentação nacional. Preservar este legado gastronómico, aliando tradição, benefícios nutricionais e impacto ambiental positivo, é fundamental. Além disso, as leguminosas são uma fonte proteica acessível e económica para as famílias portuguesas.

Depois, há também o seu papel nos ecossistemas agrícolas. “Num cenário em que mais de 30% dos solos a nível mundial sofrem degradação, erosão, perda de nutrientes e poluição2, e em que a população global deverá atingir 9,7 mil milhões de pessoas até 20503, a adoção de sistemas alimentares mais resilientes é urgente”, afirma Joana Oliveira, Diretora da ProVeg Portugal.

As culturas leguminosas contribuem para a melhoria da fertilidade do solo através da fixação de azoto atmosférico, reduzindo a necessidade de fertilizantes sintéticos, diminuindo as emissões de gases com efeito de estufa e aumentando a retenção de água e a matéria orgânica do solo, o que se traduz numa poupança económica para os agricultores, com menos custos em fertilizantes e maior rendimento agrícola.

Em 2025, foi criado o Grupo Colaborativo da Estratégia Nacional pela Proteína Vegetal, que reúne atualmente mais de 64 entidades. O grupo, que surgiu de uma iniciativa da ProVeg Portugal, une pela primeira vez a nível nacional, vários intervenientes da cadeia de valor das leguminosas, principalmente produtores e empresas, mas também outras ONG e a academia. Do trabalho conjunto deste grupo surgiu uma proposta dirigida ao Governo para a criação de uma estratégia nacional que promova a produção e o consumo de proteína vegetal, com especial enfoque nas leguminosas, alinhada com o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030).           

A proposta inclui nove medidas estruturais, definidas através de um processo de co-criação e consenso, como a redução do IVA das leguminosas (discutido e rejeitado em Assembleia) e o reforço do apoio técnico aos agricultores. Todas as organizações com atividade em Portugal podem consultar a proposta e juntar-se à iniciativa através do formulário de adesão disponível online.

  1. Dados do INE
  2. A review - ScienceDirect
  3. The State of Food and Agriculture 2020

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