Garantia da origem, segurança e rastreabilidade das carnes
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FOTO ALFREDO BURGOS/ UNSPLASH
Ana de Mira Geraldo
Professora Auxiliar do Departamento de Zootecnia da Universidade de Évora
Falar de carne parece um tema simples, daqueles sobre os quais qualquer pessoa se sente a vontade para emitir uma opinião. E não há nada de errado nisso. O problema e que muitas dessas opiniões nascem de perceções superficiais e de uma visão frequentemente depreciativa de tudo o que envolve a produção de carne.
Não defendo que a atividade esteja imune a críticas, pois acredito que nenhuma deve estar, mas criticar exige, antes de mais, compreender. Como afirmou Isaac Newton, “O que sabemos e uma gota, o que ignoramos e um oceano”, e infelizmente, no debate sobre a carne, muitas vezes nem essa “gota” de conhecimento e explorada em profundidade antes de se apontar o dedo.
Para quem não está familiarizado com a zootecnia, pode parecer estranho pensar que a escolha de cruzar uma determinada fêmea com um determinado macho possa influenciar a experiência de quem consome carne. No entanto, essa e apenas uma das várias decisões que contribuem para a qualidade do produto final. Ainda assim, a relação entre causa e efeito está longe de ser direta. Em muitas espécies de produção pecuária, existe um elevado número de intervenientes ao longo da cadeia produtiva, desde as diferentes explorações pecuárias pelas quais os animais podem passar até aos transportadores, matadouro, salas de desmancha, indústrias de transformação, comerciantes, distribuidores e retalhistas. Cada um destes acrescenta variáveis que podem reforçar, atenuar ou até anular o impacto das decisões tomadas na origem.
Um dos fatores que melhor ilustra esta complexidade é o
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