Sõsu Kombucha aposta na investigação e prepara expansão da produção

Carla Santos Silva
Nascida em 2024, na Sertã, a Sõsu Kombucha está a alargar a distribuição e procura espaço para aumentar a capacidade produtiva. A ligação à Escola Superior Agrária da Universidade Politécnica de Coimbra e a participação num consórcio de investigação sobre o medronho acompanham o crescimento de uma empresa que aposta na fermentação lenta e em ingredientes portugueses.
A aproximação entre conhecimento científico e atividade empresarial faz parte do percurso da Sõsu Kombucha. Em entrevista à TecnoAlimentar, João Santos, cofundador e responsável pela componente fabril, explica que a empresa mantém uma ligação à Universidade, para aprofundar o estudo da bebida e apoiar o seu desenvolvimento.
Com formação em Engenharia Agropecuária, João Santos assume o trabalho de formulação, experimentação, aromatização e produção, enquanto Carolina Nunes, cofundadora, se dedica à gestão e à construção da marca.
O projeto empresarial começou com a produção doméstica de Carolina Nunes. Segundo João Santos, a experiência pessoal da fundadora com a bebida levou-a a preparar kombucha para consumo próprio e a partilhá-la com familiares e amigos. A procura entretanto gerada abriu caminho à criação da marca e à instalação da produção na incubadora da Sertã.
A base da bebida é uma infusão de chá verde, à qual se juntam açúcar e uma cultura de bactérias e leveduras responsáveis pela fermentação. A Sõsu utiliza chá dos Açores e métodos artesanais, com gaseificação obtida naturalmente durante o processo. A marca apresenta a sua kombucha como não filtrada e não pasteurizada.
João Santos destaca a fermentação lenta como elemento diferenciador e sublinha a procura de sabores ligados ao território como o medronho, a cereja do Fundão e a maçã de Alcobaça.
“Tentamos sempre juntar uma história e um certo patriotismo à volta dos nossos sabores”, explica. A intenção é associar a formulação a uma origem e a uma identidade reconhecíveis, alargando a diferenciação, para além do sabor.
No mercado, o crescimento tem sido gradual. Segundo o cofundador, os restaurantes e as pequenas mercearias continuam a representar os principais canais de distribuição. A entrevista refere também a entrada na cadeia PrimaPrix e a venda direta através do site, onde a marca disponibiliza encomendas e um sistema de subscrição mensal.
A internacionalização encontra-se numa fase inicial. João Santos fala de vendas para mercearias portuguesas no estrangeiro e para algumas lojas em Barcelona, identificando a exportação como uma área que pretende desenvolver.
O aumento da atividade coloca agora a capacidade produtiva no centro das decisões. Segundo o responsável, a empresa passou de uma pequena sala da incubadora para um espaço maior e procura uma solução independente para continuar a expandir-se. João Santos, confirma também a procura de investidores para apoiar a próxima etapa.
A Sõsu conjuga, deste modo, produtos já comercializados, distribuição em expansão e investigação em curso. A colaboração com o meio científico integra essa trajetória, enquanto a concretização dos novos desenvolvimentos e a sua aceitação pelo mercado serão etapas a acompanhar.
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