A sustentabilidade da produção das raças autóctones

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© José Pais | https://autoctones.ruralbit.com

José Pais, Presidente da direção da Federação Nacional das Associações de Raças Autóctones

Quando falamos em “carnes”, intuitivamente pensamos em bovinos, para produção de carne e leite, levados por tudo o que tem sido notícia sobre o impacto da sua produção no ambiente. Aliada aos três temas identificados no dossier, está uma outra palavra que liga a origem, a segurança e a rastreabilidade: a sustentabilidade.

Partilhamos o planeta com cerca de 1,6 mil milhões de bovinos, sendo que cerca de 800 milhões de pessoas dependem da pecuária a eles associada para o seu sustento. Até 2080, a ONU estima que a população mundial atinja um total de 10,3 mil milhões de pessoas, com um aumento significativo na dimensão dos centros urbanos e um previsível aumento do poder de compra e da procura de proteína animal. Perante um cenário destes, conhecer a origem do produto, garantir a segurança alimentar e ter conhecimento da sua rastreabilidade será algo cada vez mais importante.

Num momento em que tanto se fala do que comemos e do impacto dessa escolha, entre nós, a carne voltou ao centro do debate com a mais recente notícia sobre a restrição à inclusão de carne no menu de uma cantina universitária. Tão importante como “comer ou não comer carne” é saber o que estamos a comer e de onde veio. Num mercado alimentar cada vez mais globalizado, competitivo e exigente, alguns consumidores já não compram apenas pelo preço, mas também pelos valores associados ao produto, como a saúde, a confiança, o impacto ambiental e a autenticidade.

A origem do produto, o modo de produção e a rastreabilidade são os três pilares necessários à existência de uma segurança alimentar efetiva. Transmitir esta informação ao consumidor nunca é demais, seja ele consumidor de carne ou não.

Garantia da origem

Garantia da origem do produto final é ter a certeza do país, da região, da exploração e até do animal de onde veio esse produto, onde o animal nasceu, foi criado e onde foi abatido. Podemos mesmo ir mais longe e ter também a garantia de que o animal que deu origem a determinado produto é de uma raça portuguesa, como acontece, por exemplo, com a carne de bovino, em que as nossas raças têm a marca de um dos sistemas de qualidade implementados pela União Europeia, como a Denominação de Origem Protegida (DOP) ou Indicação Geográfica Protegida (IGP) 1.

Qual a importância de conhecer a origem do produto “carne”?

A origem de um produto como a carne está intrinsecamente ligada aos três pilares da sustentabilidade (económico, social e ambiental):

– Consumir carne de origem nacional promove a economia local, mantendo esta atividade diretamente ligada ao território. Em Portugal, sabemos bem as dificuldades do interior quando falamos de coesão territorial. As nossas raças são um dos suportes do nosso território rural.

– Onde temos animais de produção, obrigatoriamente temos pessoas. O consumo de produtos de animais criados perto do consumidor promove a

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