EmerGO testa remoção de poluentes na indústria alimentar

D.R.
Margarida Caferra
O projeto europeu EmerGO vai desenvolver uma plataforma para detetar, monitorizar e reduzir poluentes persistentes e emergentes nas águas residuais da indústria alimentar. Com um orçamento de cerca de 6,8 milhões de euros, a iniciativa combina sensores, inteligência artificial e tecnologias de tratamento e reutilização de água. As soluções serão testadas em unidades industriais dos setores da carne, dos sumos de fruta e da confeitaria.
Coordenado pelo centro tecnológico Eurecat, o projeto procura responder à presença de poluentes que chegam às águas residuais durante os processos de produção e, sobretudo, as operações de limpeza da indústria alimentar e das bebidas. Estas operações podem representar até 70 % do consumo de água de uma unidade industrial e constituem uma das principais vias de entrada de poluentes nas águas residuais.
Entre as substâncias abrangidas estão microplásticos e nanoplásticos, substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS), desreguladores endócrinos, resíduos de antibióticos, desinfetantes e detergentes. Muitos destes contaminantes não são eficazmente removidos pelos tratamentos convencionais e podem acumular-se nos rios e nos solos, com consequências para os ecossistemas e para a saúde.
Sensores e inteligência artificial apoiam deteção em tempo real
A plataforma EmerGO vai combinar sensores multimodais com modelos de inteligência artificial para identificar e acompanhar os contaminantes em tempo real. A informação recolhida será utilizada para orientar a aplicação de tecnologias de tratamento destinadas a remover poluentes e recuperar recursos presentes nas águas residuais.
As soluções serão validadas nas instalações de três empresas. A Casademont acolherá o projeto-piloto no setor da carne, a Cold Pressok no dos sumos de fruta e a Jotis no da confeitaria.
Nas instalações-piloto, o consórcio pretende alcançar reduções de 40 % a 80 % dos poluentes. O projeto estabelece ainda como metas uma eficiência de remoção superior a 75 %, a reutilização de mais de 50 % da água tratada e a recuperação de mais de 30 % dos sais e reagentes.
O projeto terá ainda em conta os efeitos da exposição simultânea a diferentes contaminantes. Andrea Naves, investigadora principal do EmerGO na unidade de Água, Ar e Solos da Eurecat, explica que a combinação de várias substâncias pode amplificar os seus impactos no ambiente e na saúde. A avaliação destes efeitos cumulativos e da exposição humana será utilizada para orientar a escolha das estratégias de tratamento mais eficientes.
Tecnologias serão validadas em ambiente industrial
A Nijhuis Saur Industries integra o consórcio e vai contribuir com a sua experiência no tratamento de água e águas residuais industriais para o desenvolvimento e validação das soluções em condições reais de funcionamento.
“Os poluentes persistentes e emergentes exigem mais do que inovação científica. As soluções também têm de ser testadas”, afirma Wouter Noordman, diretor de investigação e desenvolvimento do Grupo Saur.
O EmerGO reúne 18 parceiros de dez países, incluindo centros de investigação, empresas tecnológicas, organizações setoriais e unidades industriais. Financiado pelo programa Horizonte Europa, arrancou em junho de 2026 e tem conclusão prevista para maio de 2030.
Além da aplicação industrial, os resultados deverão fornecer informação para futuras regras europeias relativas à poluição no setor. O projeto prevê também desenvolver ferramentas de informação para informar os consumidores sobre as soluções adotadas.
“Queremos que o EmerGO tenha um impacto real, com tecnologias para a indústria, conhecimento para os reguladores e informação clara para os consumidores”, afirma Óscar Rodríguez, coordenador do projeto na Eurecat.
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