Microalga portuguesa tem benefícios contra inflamações e diabetes

FOTO: ENGUERRAND PHOTOGRAPHY/ PIXABAY

Christina Genet

Um grupo de cientistas do projeto Vertical Algas descobriu as capacidades de uma microalga produzida em Portugal para conter várias doenças.

Investigar o potencial de uma microalga para combater inflamações e diabetes. Este é o desafio que se lançaram um grupo de investigadores da Universidade de Aveiro – e levou a resultados promissores. Enquanto o mundo ocidental enfrenta um aumento crescente de doenças cardiovasculares e diabetes devido a dietas pouco saudáveis, este estudo parece chegar na hora certa e faz avançar os conhecimentos sobre a prevenção de doenças com produtos à base de algas a passos largos.

A microalga em questão chama-se Dunaliella salina e é cultivada em Portugal. Já aprovada na Europa como suplemento alimentar, poderia revelar-se útil para vários outros usos na área da nutrição e da saúde. Os resultados do estudo verificaram que a microalga contém compostos que conseguem reduzir processos inflamatórios no corpo humano. Além disso, descobriu-se que tem a capacidade de inibir uma enzima na origem da digestão de açúcares, e assim poderia tornar-se num aliado no combate à diabetes tipo 2, ajudando a controlar os níveis de açúcar no sangue. Os cientistas constataram igualmente uma forte ação antioxidante do extrato lipídico da microalga.

Para Rosário Domingues, investigadora e Professora da Universidade de Aveiro e coautora do estudo, não há dúvida: “Este estudo reforça a importância das microalgas como fonte de compostos bioativos com aplicações inovadoras na nutrição e na saúde.” De facto, a Dunaliella salina é uma fonte enorme de lípidos, como o Omega-3, que se encontra também em peixe e óleo de peixe. Num contexto em que as dietas vegetarianos e veganas estão cada vez mais populares, a microalga apresenta-se como uma alternativa saudável e ecológica, que se integra melhor nas práticas alimentares atuais e se opõe à sobrepesca.

O trabalho de investigação realizado em parceria com a Universidade Católica Portuguesa, o GreenCoLab e a Necton faz parte do projeto Vertical Algas que integra o Pacto de Bioeconomia Azul, um consórcio de dezenas de empresas, universidades e centros de investigação dedicados ao setor das algas em Portugal. Este projeto insere-se numa tendência de interesse crescente pelo potencial das algas na indústria alimentar, na nutrição e na saúde.

Esta tendência levou a Associação Portuguesa dos Produtores de Algas PROALGA e o Laboratório Colaborativo GreenCoLab a organizarem a primeira edição do Congresso Internacional da Biotecnologia das Algas, entre os dias 9 e 11 de abril, em Lisboa. Profissionais, especialistas e investigadores reunir-se-ão lá para debater os avanços científicos e as aplicações biotecnológicas das algas em diversos setores, como a alimentação, a cosmética e a sustentabilidade ambiental.

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