Área Metropolitana de Lisboa apresenta um plano de transição alimentar

Christina Genet
A região da capital portuguesa enfrenta o repto de um sistema de alimentação sustentável. A 20 de março, apresentou a sua estratégia de transição alimentar no âmbito de uma mesa redonda com várias instituições e atores de diferentes setores.
“Um dos mais importantes desafios de sustentabilidade global do século XXI.” Foi nestes termos que Carla Tavares, presidente da Área Metropolitana de Lisboa, abordou a questão da alimentação no dia 20 de março, durante a apresentação da Estratégia para a Transição Alimentar na região de Lisboa. Sessenta representantes de dezenas de organismos e instituições, como o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, a Associação de Desenvolvimento Regional da Península de Setúbal (ADREPES) ou a Associação Portuguesa de Nutrição, reuniram-se para debater o desafio alimentar das próximas décadas e conhecer a estratégia da AML.
O plano apresentado na Sala Metropolitana tem como objetivo dar acesso a cerca de 2,8 milhões de pessoas que vivem na região da capital portuguesa a alimentos saudáveis de origem local, minimizando o desperdício e preservando o ambiente. Para tal, pretende atuar sobre quatro eixos: a organização da produção territorial, o planeamento e a modernização da distribuição de alimentos, o desenvolvimento e o incentivo ao consumo sustentável e a valorização dos resíduos orgânicos.
Promover circuitos curtos e consumo local
Atualmente, 38% das terras na região de Lisboa ainda são usadas para fins agrícolas, segundo o relatório da Estratégia para a Transição Alimentar na Área Metropolitana de Lisboa. Neste contexto, a iniciativa pretende promover os circuitos curtos e o consumo local, de forma a aproveitar plenamente as explorações já existentes e fomentar uma maior proximidade entre consumidores e produtores locais. O encontro concluiu-se com uma medida concreta: até 2030, pelo menos 15 % dos produtos consumidos na região de Lisboa devem ser de produção local, tendo por base modos de produção sustentáveis, redes de distribuição de baixo carbono e circuitos alimentares de proximidade.
Outro aspeto importante da estratégia de transição alimentar diz respeito à sensibilização do público para um consumo sustentável e o combate do desperdício. Esta iniciativa insere-se na continuidade do projeto Sustentação – AML Alimenta, que organizou intervenções educativas em escolas da região de Lisboa entre outobro de 2023 e fevereiro 2024, promovendo uma consciência alimentar durável nas salas de aula. Além disso, um ponto fundamental da estratégia toca ao desenvolvimento de circuitos eficientes de recolha e valorização de resíduos orgânicos alimentares.
Por fim, a apresentação do plano de ação foi também uma oportunidade para Carlos Humberto de Carvalho, primeiro-secretário metropolitano da Área Metropolitana de Lisboa, relembrar que “não há desenvolvimento sem a participação dos cidadãos.” De facto, o plano resultou igualmente das contribuições da sociedade civil. Os habitantes da região lisboeta puderam partilhar as suas ideais e sugestões entre julho e agosto de 2024 através do portal Participa.pt, dando assim o seu contributo a este desafio do século.
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