União Europeia procura acelerar uso da biotecnologia no setor alimentar

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João Guilherme Oliveira

A Comissão Europeia e agentes do setor agroalimentar reforçaram a urgência em articular redes de investigação, indústria e financiamento para expandir a biotecnologia alimentar no continente. A meta central consiste em acelerar a passagem de descobertas científicas para a produção industrial em escala comercial.

Apesar de contar com infraestruturas científicas e empresas operacionais, a Europa atrai atualmente menos de 10 % do investimento global em biotecnologia. Além disso, mais de 90 % da capacidade global de fermentação industrial encontra-se localizada fora do continente europeu.

Para abordar estes constrangimentos, o EIT Food organizou em Bruxelas uma reunião plenária que juntou mais de 200 representantes do setor público, da indústria, de empresas comunitárias e de instituições de investigação, focando-se nas barreiras regulatórias e de financiamento.

Aplicações agroalimentares

A biotecnologia aplicada à alimentação abrange atualmente três áreas operacionais principais:

  • Biomanufatura e Fermentação: A empresa dinamarquesa MATR Foods utiliza fermentação fúngica para transformar aveia, leguminosas e vegetais locais em ingredientes alimentares. A belga Koppie aplica processos semelhantes a leguminosas para criar alternativas ao café importado, registando emissões de 1 kg de $\text{CO}_2$ por quilo de produto.
  • Agricultura de Precisão: A britânica CroBio desenvolveu uma tecnologia microbiana que aumentou a retenção de água em solos arenosos em 200% em ensaios controlados. Na Grécia, a farmAIr utiliza sensores térmicos e inteligência artificial para detetar estados de stresse nas culturas agrícolas antes do surgimento de sintomas visíveis.
  • Materiais de Base Biológica: A startup búlgara Biomyc produz embalagens biodegradáveis através de micélio a partir de resíduos agrícolas, disponibilizando alternativas aos plásticos para marcas industriais e do setor automóvel.

Gargalos industriais e enquadramento legal

A transição da fase laboratorial para a escala comercial constitui o principal obstáculo apontado pelos intervenientes do setor. O desenvolvimento de unidades piloto, a obtenção de licenças regulatórias e a captação de capital exigem volumes significativos de financiamento.

Segundo estimativas do setor, até 2040 cerca de 60 % dos bens agrícolas e alimentares produzidos poderão incorporar inovações biotecnológicas. Na Europa, este mercado representa um valor acrescentado potencial de 140 mil milhões de euros.

Face ao investimento continuado de regiões como a China e os Estados Unidos, a Comissão Europeia enquadrou a biotecnologia como prioridade estratégica e propôs o EU Biotech Act para rever os processos de aprovação e apoiar a infraestrutura industrial na União Europeia.

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