Revestimento comestível prolonga vida útil de hortícolas

FOTO ENGIN AKYURT/ UNSPLASH
Margarida Caferra
O projeto europeu CRISP está a desenvolver uma proteção comestível de origem vegetal destinada a prolongar a vida útil de frutas e hortícolas após a colheita. As formulações já foram reproduzidas à escala piloto e submetidas a ensaios iniciais em equipamentos à escala industrial.
A solução é desenvolvida a partir de óleo de colza e óleo de aveia sem glúten e não contém aditivos. Segundo a informação divulgada no CORDIS, a proteção é invisível, inodora e insípida e foi concebida para ser aplicada após a colheita e integrada nos atuais circuitos de distribuição.
Segundo o projeto, a proteção pode prolongar entre três e quatro vezes a vida útil dos produtos relativamente aos não protegidos. No caso da curgete, uma formulação desenvolvida especificamente para este produto permitiu triplicar a vida útil.
O projeto está também a trabalhar em formulações destinadas a banana, pimento e beringela. Ensaios sensoriais realizados pela Universidade de Lund não identificaram efeitos negativos no sabor dos três produtos, tendo sido observada uma preservação significativa da qualidade visual da banana e do pimento após sete dias.
Além das formulações, o CRISP está a desenvolver o equipamento necessário para a aplicação da proteção em maior escala. A segunda geração da máquina já foi concluída, incorporando melhorias ao nível da capacidade, adaptação à altura dos produtos e saída automatizada. Está previsto, para este mês, um ensaio de produção em grande escala, estando também prevista a validação da nova máquina em diferentes produtos e ambientes de produção.
Coordenado pela empresa sueca Saveggy AB, o projeto decorre até maio de 2027 e conta com uma contribuição da União Europeia de cerca de 2,18 milhões de euros através do Conselho Europeu de Inovação. Entre os próximos passos está a realização de pilotos comerciais com parceiros da indústria.
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