IA da Boltz apoia descoberta de ingredientes da dsm-firmenich

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Margarida Caferra
A dsm-firmenich estabeleceu uma parceria com a Boltz para integrar modelos de inteligência artificial (IA) no processo de descoberta de ingredientes destinados ao desenvolvimento de uma nova geração de moléculas de aromas e sabores. A tecnologia será combinada com dados da empresa sobre recetores sensoriais para prever e desenvolver estruturas moleculares e analisar a sua interação com os recetores de sabor e odor.
A colaboração prevê a utilização dos modelos de IA desenvolvidos pela Boltz, empresa fundada por antigos investigadores do Massachusetts Institute of Technology, no processo de descoberta de ingredientes da dsm-firmenich. A combinação desta tecnologia com a biblioteca de dados sobre recetores de sabor e odor da empresa dará origem a modelos exclusivos baseados no conhecimento acumulado em ciências sensoriais.
Os modelos serão utilizados para prever e conceber estruturas moleculares e analisar a forma como as moléculas interagem com os recetores, proteínas especializadas responsáveis por transformar estímulos químicos em sinais interpretados pelo cérebro. O objetivo é aplicar esta capacidade ao desenvolvimento de uma nova geração de moléculas de aromas e sabores.
“Estar na vanguarda desta tecnologia traz um valor significativo para os nossos negócios”, afirma Sarah Reisinger, diretora de Ciência e Investigação da dsm-firmenich. A responsável recorda que a empresa lançou, em 2020, o seu primeiro aroma criado com recurso a IA e associa a experiência acumulada nesta área à decisão de estabelecer a parceria com a Boltz.
No âmbito da parceria, as equipas da dsm-firmenich terão acesso à plataforma da Boltz, incluindo uma interface destinada a cientistas, uma API e uma integração com agentes baseados em grandes modelos de linguagem. Esta última permitirá executar, através de linguagem natural, fluxos de trabalho complexos de desenvolvimento e previsão. Investigadores da Boltz irão também trabalhar diretamente com as equipas da dsm-firmenich.
Segundo as empresas, a utilização destes modelos permitirá explorar um maior número de possibilidades moleculares, identificar alternativas com potencial e acelerar as fases de experimentação. A tecnologia da Boltz é utilizada na previsão de estruturas biomoleculares, estimativa de afinidade e conceção generativa.
“Os modelos de interação e desenvolvimento biomolecular têm potencial para transformar produtos das ciências da vida em vários setores, para além da indústria farmacêutica”, refere Gabriele Corso, cofundador e CEO da Boltz. A colaboração irá incidir nos recetores de odor e sabor, que o responsável descreve como proteínas ainda pouco estudadas.
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