UE reforça uso da sequenciação genómica na segurança alimentar

FOTO NATIONAL CANCER INSTITUTE / UNSPLASH
Margarida Caferra
A utilização da sequenciação do genoma completo na investigação de surtos de origem alimentar está a entrar numa nova fase na União Europeia, com novas regras para a recolha e partilha de dados sobre agentes patogénicos. A implementação desta tecnologia esteve em análise numa conferência promovida pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), nos dias 2 e 3 de setembro, em Roma.
A sequenciação do genoma completo, conhecida pela sigla WGS, permite estabelecer relações entre agentes patogénicos identificados em seres humanos, alimentos, animais, alimentos para animais e ambientes relacionados. A comparação destes dados permite identificar a origem de um surto e determinar os lotes ou remessas envolvidos, quando conjugada com a informação obtida nas investigações epidemiológicas.
Desde 2020, a União Europeia tem vindo a reforçar a utilização desta tecnologia na vigilância de agentes patogénicos transmitidos pelos alimentos e na investigação de surtos. Entre os avanços identificados pela EFSA estão o reforço das capacidades laboratoriais dos Estados-Membros e a criação do sistema conjunto One Health WGS da EFSA e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), operacional desde 2022.
O Regulamento de Execução UE 2025/179, aplicável desde 23 de agosto de 2026, reforçou este enquadramento. As novas regras abrangem Salmonella enterica, Listeria monocytogenes, Escherichia coli, Campylobacter jejuni e Campylobacter coli quando estejam associados ou exista suspeita de associação a um surto de origem alimentar. Nestas situações, as autoridades competentes devem realizar a sequenciação do genoma completo dos isolados abrangidos e transmitir os resultados à EFSA.
O regulamento prevê também a participação dos operadores das empresas do setor alimentar e dos alimentos para animais. Quando disponham dos isolados abrangidos e de resultados de WGS provenientes das suas próprias investigações, devem facultá-los à autoridade competente, quando solicitados e quando estejam associados ou exista suspeita de associação a um surto.
A conferência da EFSA centrou-se na aplicação prática do novo enquadramento, incluindo os requisitos técnicos e regulamentares para a geração e partilha de dados WGS. O encontro abordou também o papel da indústria alimentar enquanto detentora destes dados, a colaboração com as autoridades competentes e os desafios associados à implementação das novas regras.
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